Um mês tem sessenta
páginas. E Quem sou eu, descobrindo o Brasil com o papagaio, plutos e gaguinho.
Gauguin pintando quadros pra combater o tédio da viagem.
Quem sou eu? Que
despeja seu ódio nas batalhas de mcs. Entendendo o feminismo e a criação de uma
linguagem traiçoeira para a luta cotidiana. De tanta falta de lucidez, o lúdico
é cansado pela escória de ônibus lotação empregado/patrão vítima/polícia do dia
a dia, de tanto não ir em direção às delícias reais quase eles esqueceram que
elas existiam, e leram manuais em revistas para praticar um bom sexo oral. De
tudo de chegar no gesto do dia, abrir a porta, escovar os dentes, se deitar. De
tanto não estar satisfeito, o costume tornou a satisfação algo supérfluo e
vergonhoso. Eu estou profundamente perturbado.
Queria dar a mão pra
Artaud, pois o Sol negro que matou seu teatro também matou o meu. Não fui para
o hospício mas vivo sob o olhar dos carcereiros, bons oradores, advogados e
comediantes. Não obstante quererem que bastasse o desejo. Ainda espero e vejo,
sinto mais vida quando chego a conclusão de que sou , eu sou, sou, eu sou, o
barato de sou, soul. Eu soul, eu sol, eu som, eu também cansei dos outros eles,
o barato de eles, eu não, eu sou, eu sol, eu som, eu sol, eu soul, até a acabar
a sinceridade e começar o samsara da primavera. Aí finjo bem, ando na rua de
mãos balançando e dou bom dia andando em 2 patas. Quase confirmo pro ladrão que
o meu relógio é de ouro mesmo. Dou risada e abro sorrisos sem motivo algum e
quando, sem querer, fico nu no meio da rua ou me masturbo pensando em
elefantes, girafas, vacas, helicópteros, peço desculpas mentalmente e quase morro de
vergonha.
Me diziam com muita
convicção, doeu o pescoço ter de ouvir até o fim, quando eu disse "NÃO!" estranharam
tanto que eu voltei atrás: correção, correção, minha cabeça a prêmio. Vamos outra vez.
Casa própria, moradia
popular, sonho em ter um teto branco sobre a cabeça. Cada amor é um momento, ô abestalhado(a),
cada amor é um monumento, ô sem cérebro(a), cada amor é repentino, ô
covarde(a), cada amor é sincero mesmo, é sincero mesmo, ô sem fibra(a), ô
desamado(a), desalmado(a). Se não é pela
vida é pela morte, se liga? Não vê beleza?
Eles tentaram acabar
com o samba mas o samba é imortal.
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